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Capítulo I
O sertão do Mato Grosso, em meados do século passado, era um mundo à parte — de matas sem fim, de rios que mudam de leito, de distâncias que se medem em dias de viagem.
Ali vivia Pereira, o sitiante, com sua filha Inocência, a flor do sertão. Menina branca, de olhos azuis e modos simples, criada sem luxo e sem malícia.
O sertanejo já tinha combinado o casamento da filha com Manecão, o tropeiro rico — negócio feito como se fazem os negócios, sem perguntar opinião à mercadoria.
Capítulo II
O forasteiro chegou numa tarde de chuva, pedindo pousada: chamava-se Cirino, era naturalista, e colecionava insetos para um museu distante.
A menina o serviu com os modos da casa, e o naturalista, que já tinha visto os museus do mundo, viu nela uma espécie rara — dessas que não se colecionam em caixas.
O sertão é grande, mas as notícias correm; e o que se passava naquela casa começou, como tudo no sertão, a ser comentado baixinho.