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Capítulo I
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema, a virgem dos lábios de mel, dos cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da jati não era doce como o seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. A virgem andava pela mata, conhecia as ervas, entendia a língua dos pássaros.
Foi na clareira da mata que ela viu o guerreiro branco, estranho e ferido — e o destino, que escreve as histórias antes de contá-las, já tinha escolhido os dois.
Capítulo II
O guerreiro branco chamava-se Martim, e viera de longe, do outro lado do mar, onde a terra é mais velha. Iracema curou-lhe a ferida e ensinou-lhe os segredos da floresta.
Mas entre eles estava o segredo que ela guardava: o segredo da jurema, a bebida sagrada de sua nação, que nenhuma virgem poderia tocar sem perder o direito ao nome de esposa.
Quando Martim partiu, levou consigo o coração da virgem. E quando voltou, encontrou o destino — porque o amor, como a flecha, não volta atrás.