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Capítulo I
O major Policarpo Quaresma, subsecretário do Arsenal de Guerra, era um patriota: lia os historiadores, colecionava documentos, e conhecia do Brasil o que nem os próprios brasileiros conheciam.
Convencido de que a pátria só seria completa com a língua original, o major começou a estudar o tupi-guarani com um fervor religioso. O tupi, para ele, era o idioma do futuro.
Os vizinhos riam; o major não. Quaresma era desses homens que fazem das suas convicções uma fortaleza, e moram nela com conforto.
Capítulo II
O pedido oficial, redigido em tupi e entregue à Câmara, entrou para o rol das anedotas da cidade. O major, porém, não desanimou: se o país não queria a língua, teria o campo.
Comprou um sítio, plantou, tratou da terra com as próprias mãos. Mas a terra, como a pátria, não o tratou bem: as pragas, os impostos e a ignorância fizeram com a colheita o que fazem com tudo.
E ainda assim, quando o chamaram para a política, para a revolução, para o sonho, o major foi — porque o Brasil, para ele, era uma ideia que não se recusa.