Arte nova
Sinopse
WLADIMIR SALDANHA Wladimir Saldanha é poeta, crítico e tradutor. Mestre e Doutor em Teoria Literária, escreve regularmente sobre poesia no Jornal Rascunho. Publicou Culpe o vento (2014) e Lume Cardume Chama (2014), seguindo-se Cacau inventado (2015) e Natal de Herodes (2017), este último ganhador do Prêmio Nacional de Poesia da Academia Pernambucana de Letras. Organizou e traduziu para o francês a antologia Poesia brasileira em contracorrente (2018). É membro correspondente da Associação dos Amigos de Verlaine. *** É lição bimilenar das poéticas e retóricas que cada assunto específico demanda um tratamento específico. Assim o culto Camões, na proposição de Os Lusíadas, pedia às Musas “... um som alto e sublimado, / um estilo grandíloquo e corrente” com que pudesse fazer jus à dignidade do seu assunto. O também culto Wladimir Saldanha sabe muito bem disso; daí que nesta sua Arte Nova – livro que está destinado a se tornar um clássico da poesia amorosa em língua portuguesa – vejamos o autor despojar-se do poeta velho e vestir-se de um novo, oportunamente adequado a tratar do objeto (ou sujeito) que o encanta. Digo objeto ou sujeito porque o seu assunto é o amado. Ora, o moço, o efebo, o garoto é, no Ocidente, matéria de poesia desde os nossos avós helenos, e é a esse coro tão ilustre, que inclui, entre os modernos, Verlaine e Cavafy – e, em português, Tolentino e Piva –, que se vem juntar Wladimir Saldanha, poeta a um só tempo virtuoso da forma e dono de erudição e sensibilidade notáveis. Assim, depois do eclético poeta de Culpe o Vento (2014), do lírico móvel, terno, às vezes irônico de Lume Cardume Chama (2014), do fino memorialista de Cacau Inventado (2015), e do denso, mas sempre ágil, reflexivo de Natal de Herodes (2017), temos agora o desabridamente amoroso, o lírico exaltado e apaixonado desta espetacular Arte Nova, em que as lições de Verlaine se renovam e em que tudo é sugestão, música, iridescência, e a poesia tem a rara delicadeza das coisas mais belas sem quê nem porquê. (Érico Nogueira) Conheça 7 poemas do livro Arte nova, de Wladirmir Saldanha Há um poema dentro do silêncio e o que quer é um desastre com fogo para seu alarme inútil Há outro poema dentro da noite: vai estendê-la manhã adentro em sacos pretos de vítimas Há finalmente o poema intacto sem tragédia e irremediável – poema só teu, de quem sempre guarda em si um incêndio – a senha para outro sobrevivente. *** Ode contínua I Fantasma impossível, sem morte anterior, o poeta se antecipa: em frêmito ao toque, em medo e acolhimento, saudade imaginada. Tem um corpo – não devia. Traz o susto do afogado que os náufragos têm nos olhos: é a dú
Sinopse
WLADIMIR SALDANHA Wladimir Saldanha é poeta, crítico e tradutor. Mestre e Doutor em Teoria Literária, escreve regularmente sobre poesia no Jornal Rascunho. Publicou Culpe o vento (2014) e Lume Cardume Chama (2014), seguindo-se Cacau inventado (2015) e Natal de Herodes (2017), este último ganhador do Prêmio Nacional de Poesia da Academia Pernambucana de Letras. Organizou e traduziu para o francês a antologia Poesia brasileira em contracorrente (2018). É membro correspondente da Associação dos Amigos de Verlaine. *** É lição bimilenar das poéticas e retóricas que cada assunto específico demanda um tratamento específico. Assim o culto Camões, na proposição de Os Lusíadas, pedia às Musas “... um som alto e sublimado, / um estilo grandíloquo e corrente” com que pudesse fazer jus à dignidade do seu assunto. O também culto Wladimir Saldanha sabe muito bem disso; daí que nesta sua Arte Nova – livro que está destinado a se tornar um clássico da poesia amorosa em língua portuguesa – vejamos o autor despojar-se do poeta velho e vestir-se de um novo, oportunamente adequado a tratar do objeto (ou sujeito) que o encanta. Digo objeto ou sujeito porque o seu assunto é o amado. Ora, o moço, o efebo, o garoto é, no Ocidente, matéria de poesia desde os nossos avós helenos, e é a esse coro tão ilustre, que inclui, entre os modernos, Verlaine e Cavafy – e, em português, Tolentino e Piva –, que se vem juntar Wladimir Saldanha, poeta a um só tempo virtuoso da forma e dono de erudição e sensibilidade notáveis. Assim, depois do eclético poeta de Culpe o Vento (2014), do lírico móvel, terno, às vezes irônico de Lume Cardume Chama (2014), do fino memorialista de Cacau Inventado (2015), e do denso, mas sempre ágil, reflexivo de Natal de Herodes (2017), temos agora o desabridamente amoroso, o lírico exaltado e apaixonado desta espetacular Arte Nova, em que as lições de Verlaine se renovam e em que tudo é sugestão, música, iridescência, e a poesia tem a rara delicadeza das coisas mais belas sem quê nem porquê. (Érico Nogueira) Conheça 7 poemas do livro Arte nova, de Wladirmir Saldanha Há um poema dentro do silêncio e o que quer é um desastre com fogo para seu alarme inútil Há outro poema dentro da noite: vai estendê-la manhã adentro em sacos pretos de vítimas Há finalmente o poema intacto sem tragédia e irremediável – poema só teu, de quem sempre guarda em si um incêndio – a senha para outro sobrevivente. *** Ode contínua I Fantasma impossível, sem morte anterior, o poeta se antecipa: em frêmito ao toque, em medo e acolhimento, saudade imaginada. Tem um corpo – não devia. Traz o susto do afogado que os náufragos têm nos olhos: é a dú